terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Dança...


‎Dança sobre as águas, entre as ondas, entre brasas de vulcão...
Dança sobre o asfalto, em pedra quente, sem música, sem chão...
Dança sem motivo, sem sentido, sem coordenação...
Dança em profusão de cores, dança na mente, dança dentro de si...



Da pureza...


Ferve teus pecados em água benta...




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Alaska...

A sensação térmica não é das melhores. O frio que sinto parte de mim e me parte, como uma fina camada de gelo. Sua voz, sua presença, não quero nada disso agora. Quero apenas o silêncio frio e solitário dos meus pensamentos. O mapa que desenhei não me levou a lugar algum quando esqueci de mim ao me jogar em você. Eu me joguei na imensidão escura de suas palavras, nas incompletas ações, e acreditei que suas verdades me trariam paz, até perceber que não somos, nunca fomos e jamais seremos dois. Fomos sempre metades perdidas, partes soltas de um quebra-cabeça que não se encaixava. Toda perfeição era tinta, era cor, eram traços que meus sentimentos quiseram desenhar para me dar a perfeição que eu não via onde deveria ver, para me completar onde eu me faltava. Fragmentos de sol se perdem nas frestas minúsculas das janelas. Pedaços de ventos se prendem nos meus passos quando tento seguir outra direção. Não, você não faz parte dos meus planos, nunca fez! O que vi em você se apagou como luz de vela em chuva fina, virou pó. Esqueci de mim ao me jogar em você. Prometo não mais me abandonar. Agora eu me lanço em mim para me encontrar, sem subterfúgios, sem vírgulas, sem meias verdades que não me completam. Sigo sem medo, mas a sensação térmica não é das melhores... o frio que sinto vem de mim e me parte, ele me corta, como vento frio do Alaska...

sábado, 20 de agosto de 2011

Quem eu quero para mim...

Quem eu quero para mim só precisa me entender melhor do que eu gostaria, até o ponto em que eu me irrite por ser tão previsível para ele. Quem eu quero para mim só precisa ser simples, para que possamos nos complicar juntos, até que um dia sejamos capazes de nos simplificar. Quem eu quero para mim só precisa me respeitar e confiar, porque sorrisos quem promete sou eu... E prometo não fazer promessas, até ter certeza de que achei quem eu quero para mim...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A sombra da vida...

De forma tola você pensa que a vida é fácil. Preto e branco são as cores que você vê. Simples, um desenho, uma caricatura dos céus. Coisas fáceis, caminhos fáceis, você julga. Mas nada é tão simples que se possa explicar. Pontos de vista diferem você dos outros. Você aprende novas coisas. Você vira outro. De repente a vida ganha outras cores. O preto e branco viram azul, vermelho e novos contrastes. Verdades surgem e fragmentos de histórias passam a se encaixar na sua mente, na sua vida. Uma realidade que só você enxerga, só você sente. Gritar talvez faça o mundo entender. Gritar não vai resolver... Poços sem fundo engolem seus segredos e os medos são soterrados sob tapetes persa. Sorrisos são distribuídos como presentes, mas são ocos, são máscaras. E você corre, corre sem parar, e se esconde quando ouve vozes, quando ouve ventos, quando ouve realidade. Sonhar é mais fácil, sonhar é mais doce. Nada é fácil, o doce é amargo. Sonhos se desfazem, verdades se dissipam. O que podia ser, não foi. O que é, é só seu. O dia passa, o tempo passa e só a verdade lhe resta. Ela é dura, ela é fria, ela é boa, ela é feliz, mas não é perfeita. É a realidade. Se assim não fosse, seria sonho, e sonhos não envelhecem, não acompanham o tempo. Sonhos acabam, sonhos se perdem... Viram sombras, perdem a cor...

domingo, 10 de abril de 2011

Grey's Anatomy: The Music Event: Song Beneath The Song)


UPDATE: depois de assistir ao episódio infinitas vezes, 90% do que está escrito abaixo deixou de fazer sentido! ADORO o episódio! :-)

Se você ainda não assistiu ao episódio musical "Song Beneath the Song" de Grey's Anatomy, pare de ler agora, porque este post contém spoiler.

Quem me conhece e/ou acompanha o blog sabe que eu sou louca por Grey's Anatomy e que acho Shonda Rhimes um gênio. Certo! Acontece que, nem por isso, posso engolir o episódio musical sem fazer algumas considerações.

Logo no começo do episódio nos deparamos com Callie acidentada, observando-se fora do próprio corpo enquanto canta "Nobody Knows" (tema da série) em versão mais sombria. A impressão que se tem é a de que o episódio será sensacional, afinal de contas, Sara Ramirez (que interpreta Callie) canta muito bem!

Na continuidade do episódio, vemos Callie atravessar as portas do Seattle Grace Mercy West Hospital com todos os médicos (seus amigos) fazendo de tudo para mantê-la viva e, nesse momento, usando novamente o artifício de se observar de fora de si mesma, Callie canta a lindíssima canção "Chasing Cars" (a cara de Grey's e que está há dias na minha cabeça). Até aí o episódio está um primor.

O problema surge quando os outros médicos começam a fazer parte dessa dinâmica e cantam também. Inclusive em momentos em que Callie não está presente, o que descaracteriza qualquer possibilidade de justificar a cantoria como sendo alucinações da personagem. Little Grey canta bem, e Dra. Bailey também, mas quando o Dr. Hunt começou a cantar eu vi que o episódio musical não tinha um sentido.

Callie, que é uma das melhores personagens da série, merecia que o episódio dedicado a ela mantivesse o nível de drama dos episódios que já foram dedicados aos outros personagens. Difícil prestar atenção aos detalhes bons das cenas em que o Dr. Hunt cantava.

Para o episódio ser impecável, Shonda Rhimes deveria ter mantido o foco em Callie e apenas ela deveria ter cantado. Faria mais sentido. A escolha das músicas foi bem feita. Claro que não poderia faltar "How to save a life", e a canção foi colocada na hora certa, na cena adequada. Só não foi cantada como deveria, como merecia.

O episódio musical deveria ser justificado como alucinações de Callie. Faria sentido e teria ficado bem mais bonito.

Mas é Grey's Anatomy e, por isso, apesar de tudo, consegue manter um nível elevado. Espero que Shonda deixe as músicas da série sob a responsabilidade dos cantores e bandas originais. Afinal, Grey's é famosa por sua trilha sonora primorosa e pelo drama hipnotizante, principalmente pelo drama dos personagens fixos e principais.

Música de um lado, atores do outro. Cada um no seu quadrado...


[Para ouvir: Chasing Cars (Snow Patrol)]

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Só o amor é luz... (ainda que seja dualista)


Quem diz que amar é fácil, nunca amou. Amar não é nem um pouco fácil. Amar implica ceder, implica aceitar. Ceder a vontades que não condizem com a sua. Aceitar defeitos que você acredita não ter.

O amor traz consigo medo. Medo da perda, medo do desconhecido. O outro sempre é um mundo onde você só entra se ele permitir. A cabeça do ser humano é um buraco negro e só são publicados os pensamentos mais normais.

O amor traz consigo mudança. Mudam-se os hábitos. Muitos deixam de existir. O amor é uma avalanche que leva consigo o que está no caminho.

O amor lhe dilacera. Faz você chorar sozinho porque sente dor. Dor de saudade, dor de amor.

O amor faz você voltar no tempo e transformar cheiros em memórias. O amor transforma toque em força e faz você acreditar que seus limites podem ser ultrapassados.

E por mais que você acredite que amar não é sua prioridade, por mais que você tente dizer que o amor não faz parte dos seus planos, você sabe que não há escapatória quando o amor acontece. Porque é exatamente assim: você não o fabrica, ele ACONTECE.

O amor faz você correr na chuva, correr na areia ainda que não tenha fôlego. O amor faz você jogar futebol mesmo que não saiba a diferença entre zagueiro e atacante. O amor faz você jogar mal uma partida de pôquer porque sabe o quanto o outro ficará feliz se vencer. O amor faz você rejeitar o último pedaço de torta, dividir o copo insuficiente de refrigerante, sentar-se desconfortavelmente no sofá para que ele caiba ao seu lado. O amor faz você cozinhar mesmo sem saber, faz você correr contra o tempo para chegar logo. Faz você assistir a um filme que não lhe interessa muito. O amor faz você ouvir histórias pelas quais você nem se interessa tanto, mas que são contadas com tanto entusiasmo que você consegue sentir. O amor lhe repousa e lhe ajuda a respirar.

Enfim, o amor sempre será ao mesmo tempo o seu bem e o seu mal. Ele leva você do céu ao inferno em segundos... e lhe joga no paraíso outra vez. Talvez amar seja a coisa mais difícil que você fará na vida. Mas pense bem, sem medo de ser piegas: existe vida sem amor?

E como bem disse Marcelo Camelo: “Só o amor é luz...”


[Para ouvir: Monte Castelo - Legião Urbana]

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eu vejo o mesmo que você?

Idiossincrasia é uma coisa que me fascina. [Dicionário para você, querido leitor, que não sabe o que essa palavra significa: é, basicamente, a sua "maneira pessoal de ver o mundo"].

Então, idiossincrasia faz você ser como você é, eu ser como sou, e nossas personalidades se entenderem ou não.

Eu, particularmente, adoro meu jeito de ver o mundo, ainda que às vezes eu ache que só eu vejo o mundo da minha forma. Crazy, crazy, crazy, diriam os especialistas? Não, creio eu!

Não há como negar o prazer que sentimos quando vivemos um estouro de idiossincrasia: é sua ideia encaixar com a ideia de outras pessoas, quando suas piadas se transformam em parte da família de piadas internas que vinculam você aos seus amigos. É você ter características que seu amigos criticam, que seus amigos admiram, características que definem você. Suas idiossincracias formam o RG da sua personalidade.

Quem pode garantir que o mundo que você vê não é o mundo como deve ser visto? E quem pode garantir o inverso?

Então, toda idiossincrasia é correta? Talvez. Posso desenhar meu mundo para você e você pode desenhar seu mundo para mim. Podemos mudar de visão, podemos aperfeiçoar nossas visões, e sairemos, cada um, com um novo mundo habitando em nossas cabeças. Diferentes mundos. Cada cabeça uma sentença, cada cabeça um mundo.

Só eu gosto de comer camarão com pão? Só eu gosto de preparar um sanduíche com pão de hot dog e doritos? Apenas isso: pão e doritos. Será que sou a única pessoa em todo o mundo que come isso? Se sim, ou se não, eu não sei. Só sei que o meu mundo gastronômico fica mais feliz quando preparo essas maravilhas culinárias.

Só eu dou gargalhadas todas as vezes em que assisto aos mesmos episódios de FRIENDS ou Modern Family? Só eu na minha faixa etária considera "Os Goonies" um dos melhores filmes feitos EVER?

Adoro barulho de chuva, cheiro de chuva, clima de chuva. Acho o pôr-do-sol mais bonito do que o amanhecer. Adoro chocolate quente no calor e acho o máximo sorvete em dias frios.

Sou fascinada por New York e sei que se eu for para lá um dia, morarei lá para sempre.

Adoro MPB, POP, Rock, Rock Internacional e chego até a adorar um certo Heavy Metal. Sou louca por seriados e filmes. E ai de quem mexer com meus amigos. Sou advogada, mas poderia ser jornalista, roteirista, diretora de cinema, ganhadora do Oscar, vencedora invicta do Emmy Awards e, quem sabe, ginasta olímpica campeã mundial.

Não suporto pessoas que agem com grosseria, não suporto pessoas que têm a estúpida ideia de que são melhores do que os outros seres humanos.

Adoro coca-cola, principalmente em dias de intenso calor. Adoro tecnologia e já não imagino mais o mundo hoje como ele era quando eu era criança (faz pouco tempo, eu juro!). Sinto saudade de quando era criança, dos brinquedos da minha geração.

Não gosto dos filmes do Woody Allen, mesmo que o mundo do cinema o considere um gênio. Quer dizer, gostei de "Match Point", apenas! Fico encantada com uma bela escrita e me dói profundamente assassinatos à língua portuguesa cometidos por quem teve educação suficiente para não confundir "mas" com "mais".

Eu choro assistindo "Extreme Makeover: Reconstrução Total" e fico com fome quando vejo "Top Chef". Já li uma quantidade enorme de livros e sou meio egoísta, não gosto de indicá-los, para não ter que emprestá-los e para que aquela visão de mundo que eu tive ao lê-los continue sendo só minha. Adoraria terminar de ler "Marley & Eu", mas ter assistido ao filme me deixou triste para continuar a leitura.

Tudo isso (e muito mais, obviamente!) faz parte da imensa galáxia de idiossincrasias que me definem. Vivemos todos num loop incrível de influência de diversos agentes e sentimos o que sentimos, pensamos o que pensamos, fazemos o que fazemos porque tudo, no fim, está conectado. Não viaja, leitor! Não estou falando em poderes do universo, e afins. Essa conexão que falo é a sua. Do seu temperamento com a forma como você leva sua vida.

É... idiossincrasia é uma palavra bacana, não é mesmo?! Dá até para ser nome de banda de Rock (se é que já não tem alguma batizada dessa forma).

Enquanto você pensa nas suas idiossincrasias, vou aqui viver as minhas, ver o mundo como vejo.

Quem sabe não estou vendo o mesmo que você?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O amor que você não quer mais (Ou o amor que você não pode perder)


Quando você se apaixona, tudo parece diferente e você deseja que aquelas mudanças sejam para sempre. De repente, tudo que era estranho começa a parecer familiar.

Você passa a saber do que o outro gosta, você sabe o que o outro quer. Passa a conhecer as manias, a conhecer os segredos, os medos e os desejos.

Você lembra, como se fosse hoje, o dia em que seu mundo virou de ponta-cabeça. Lembra o dia em que os sentimentos fizeram sentido e se tornaram amor. É, você lembra das viagens e dos filmes assistidos juntos. Lembra das brigas cinematográficas, lembra das pequenas brigas. Lembra o quanto cada um teve que ceder para que o amor não morresse nos primeiros capítulos. Inevitavelmente lembra das músicas que tocaram em momentos especiais e da agonia que a saudade causava quando passavam mais do que um dia sem se ver. O cheiro é inconfundível e você lembra da primeira vez em que perdeu a consciência por causa dele.

Mas o que você faz quando esse amor deixa de ser tão bonito e passa a não mais lhe cair bem? Quando essas lembranças já não são tão iguais?

O que fazer quando o amor deixa de ser o que lhe faz feliz para ser o causador da sua dor? Você ama ao mesmo tempo em que não quer amar, porque esse amor machuca.

E você tenta se explicar, tenta se entender e acreditar que amor não muda. Mas e se ele mudou? Se o amor da sua vida, de repente, deixou de ser? O que você faz?

Não fomos feitos para saber o que fazer quando o amor acaba, muito menos para saber o que fazer quando ele ainda existe, mas já não é feliz. E muitas vezes não sabemos distinguir e confundimos o amor que mudou com o fim do amor.

O amor não se alimenta sozinho, não sobrevive sem alguém que o controle. É verdade, o amor precisa de alguém que o domine, que o direcione, senão ele volta a ser paixão desenfreada ou volta a ser nada. Paixão é o primeiro passo para o amor, e ela não precisa ser devastadora. Nem precisa ser o primeiro sentimento. Mas só ama quem se apaixonou. E há diferença? Claro que há. Quando você se apaixona, você fica fora do chão. Meio dormente. E quando a paixão se torna amor, você volta a pisar no chão e a querer um futuro com o outro, a querer mais do que sonhos.

Certo. Então o que você faz quando se apaixona, quando ama e já não quer mais amar? Como lidar com o amor que existe em você, mas que você não quer mais? E como saber que não quer mais?

Você simplesmente já não sente mais o outro na sua pele. Já não desenha um futuro com ele. Você quer flutuar de novo. Então percebe que o amor que mora em você já não é suficiente. E você simplesmente não sabe o que fazer. A única coisa que sabe é que já não quer mais senti-lo.

E como não sentir?

Você acha que alguém tem a resposta para isso? Não. Nenhum ser humano a tem! Para o amor não há respostas. Não há receitas. Não há mapas.

Talvez, se você perceber que já não quer o amor que lhe preenche, seja mais inteligente conservá-lo e alimentá-lo de forma que o faça ser bonito de novo. Afinal de contas, ninguém ama por acaso. Se virou amor é porque você encontrou o seu outro "eu" em outra pessoa. E perder isso talvez signifique perder-se para sempre...

Só quem ama sabe o quanto é difícil encontrar o amor de novo... principalmente quando você o exterminou de você!

Amor é quando você aceita que não há mais fantasias e que a realidade é mais difícil do que sonhava, mas é melhor... porque realidade você pode tocar.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Calendários se renovam. E você?


O Reveillon está se aproximando e resta pouquíssimo tempo para resolver milhares de coisas.

Entendo todas as crenças de que a virada do ano traz novas energias, novas esperanças, mas confesso que acredito nisso muito mais por superstição do que por comprovações científicas e fatos reais que façam valer de verdade essa máxima universal. No fim, não quero ser aquela pessoa "chata" que diz que a passagem do dia 31 de dezembro de um ano para o dia 1º de janeiro do outro é só uma simples e comum passagem de um dia para o outro, como acontece em toda e qualquer transição mensal.

Por isso, na vibração esperançosa de todo dezembro, corro contra o tempo para conseguir concluir os assuntos pendentes de 2010, ainda que não aceite o porquê de tudo ser tão corrido agora, mas enfim, é e pronto.

Aproveitando a deixa, desejo um Feliz Ano Novo a todos!

Apesar de qualquer resquício cético da minha parte, eu sempre me rendo ao espírito de renovação que todo ano novo traz consigo. Todo mundo acaba achando que as coisas erradas do ano que passou poderão ser consertadas no novo ano e que as coisas certas serão perpetuadas. Bom, espero que estejamos todos certos nisso, e que as boas e/ou necessárias mudanças esperadas possam acontecer.

É a velha e eterna batalha entre razão e emoção. E que a emoção sempre me vença...

Então, se você pretende embarcar nessa vibração toda de "fim de ano" e de "começo de novos rumos", "nova era" e tantas outras ideias, lembre-se que não basta escolher uma cor que lhe dê sorte, comer as sementes de frutas, pular ondas, guardar dinheiro em lugares inusitados, e fazer infinitos pedidos ao estourar dos fogos de artifício. Para o ano novo trazer os bons fluidos que você espera e deseja, ele precisa da sua ajuda. Por isso, mais do que querer e esperar que tudo seja lindo e perfeito, em 2011 SEJA e FAÇA! Para que assim, nas próximas viradas de ano, você só precise usar toda essa aura festiva para agradecer e não mais para pedir.


Feliz 2011!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Admirável Chip Novo" ou "Cartas para Mim..."



Há alguns dias fiquei praticamente incomunicável por causa de uma pane em alguma coisa que provocou sei lá o quê, cujo resultado foi não conseguir falar de forma alguma através do aparelho celular. Foi quando me dei conta de que me tornei escrava da tecnologia.

Tentei lembrar de como era minha vida antes de viver cercada por aparelhos celulares, computadores e todas as ferramentas que, hoje, estão agregadas a eles. E sabe de uma coisa? Quase não lembrei. E não faz tanto tempo assim. Sou jovem ainda. Mas, muito embora eu me lembre da época em que celular era artigo de luxo e computador parecia uma revolução em nossas vidas (realmente é!), a sensação de utilizar outros meios de comunicação mais simples me parece muito distante.

Sou da época em que escrevíamos cartas e enviávamos cartões de natal pelos correios aos amigos da escola em época de férias. Da época em que não demorávamos muito ao telefone (fixo) em conversas que poderiam acontecer no dia seguinte na sala de aula. Sou da época em que bilhetes eram uma forma rápida de passar um recado, em que a caligrafia era trabalhada.

Hoje, tudo é imediatista (inclusive, eu!). As notícias não podem esperar o amanhã. Hoje as pessoas têm mais de um aparelho telefônico, celulares diferentes, um só com várias linhas, vários computadores, vários e-mails, várias contas em várias redes sociais. Hoje, as pessoas tendem a ser polvos, com um braço em cada parte do mundo, tentando fazer e ter "tudo ao mesmo tempo agora".

Eu? Eu sou completamente fascinada por tecnologia e adoro esse mundo imediatista, onde tudo chega rapidamente onde deve chegar, numa velocidade que eu apenas sonhava quando criança, mas que parecia futurista demais para que eu alcançasse. Já disse, sou jovem ainda. Vinte e poucos anos... Alcancei. Hoje, minha caligrafia é um reflexo dessa modernidade. Minha letra não é mais um exemplar de beleza gráfica, afinal, para escrever tudo há vários teclados. Não lembro a última carta que escrevi, mas posso contabilizar facilmente meus e-mails e sms, scraps, tweets etc.

No dia em que não consegui me comunicar por celular, ainda me restava a internet, e eu comemorava internamente por não me sentir completamente ilhada. Engano meu! Ilhada já estou, ilhados nós estamos. Vivemos todos numa ilha tecnológica que nos projeta para o resto do mundo da forma que queremos e quando queremos. Hoje somos escravos da modernidade, da pressa, da urgência. Posso dizer aqui as vantagens e desvantagens disso tudo. Mas não o farei.

A ideia desse post era, apenas, expor o que rondou minha mente no citado dia: lembranças da simplicidade de alguns anos atrás e, por mais que eu seja apaixonada por tecnologia, não posso deixar de admitir que sinto uma certa saudade de quando os dias pareciam mais longos, dos meus sorrisos ao receber cartas e bilhetes, do meu orgulho em escrever redações com uma caligrafia impecável, dos lindos cartões de natal, de sair de casa e voltar tranquilamente sem sentir o desespero de precisar voltar urgente para carregar a bateria do celular que descarregou.

E aqui estou, criando um pequeno paralelo entre meu mundo de ontem e meu mundo de hoje. Adorando tecnologia e sentindo saudade do papel. E que forma interessante eu encontrei: um post no blog, que nada mais é do que um fragmento de terra na ilha tecnológica em que vivo.

É... essa sou eu tentando ver imagens do passado com meus novos "olhos de robô"...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O que você realmente gostaria de dizer quando faz promessas de amor...


Eu sei, sou egoísta
Porque não quero amar você sem retorno
Quero seu amor de volta mais forte e sem medida
Maior do que o amor que lhe ofereço em troca

Eu sei, não é possível haver amor maior que o meu
Mas deixe que eu imagine que há
Deixe que eu acredite no inacreditável
Deixe-me pensar, pensar, pensar...

Providencie, então, as ilusões que eu quiser
E me dê, sem medo, tudo com o que quero sonhar
Mesmo que não exista, mesmo que você não possa
Só me faça acreditar, acreditar, acreditar...

Peço que você minta para mim
Peço que você invente sem parar
Invente um mundo onde eu possa esperar
Que haja um amor maior que o meu
E que é você quem vai me dar

Então espero que você me ouça
E realize essa proeza
De me amar, ainda que menos
Um amor verdadeiro que se contente em ser menor
Que já será amor por aceitar sua própria dimensão

Porque só o amor costuma aceitar
Fingir ser o maior de todos
Ainda que não possa ser
Ele se propõe a tentar
Sem egoísmo, sem parar
E agindo assim, maior ele será...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quantas vezes somos capazes de boicotar a nossa felicidade?


O ser humano, por mais que tente disfarçar, não consegue se libertar de suas características masoquistas. Isso mesmo! Todo ser humano é masoquista.

Você é masoquista e não adianta dizer que não é. Você já se apaixonou por quem não lhe queria, já insistiu em amores que lhe faziam mal, já lutou para manter amizades que não valiam a pena, já se prendeu a realidades que não levavam a lugar algum.

Alguns chamam isso de persistência. E talvez seja. Mas garanto que você não estava sendo apenas persistente. A persistência, muitas vezes, agarra a mão do masoquismo e corre! Caminham juntinhos e fazem você se perguntar qual o motivo de, às vezes, o amor doer tanto, certas amizades serem tão efêmeras e certos sonhos parecerem tão distantes. Acontece que quando algo é muito importante para você, mesmo que cause um mal, você se apega e se agarra com todas as forças à crença de que vai melhorar, vai passar, vai mudar. Em algumas vezes isso funciona, mas em sua maioria não! Agarrar-se à dor é, quase sempre, medo de dar o primeiro passo rumo à mudança. Então você aceita que tudo na vida tem um preço e se coloca à disposição para pagá-lo se conseguir em troca o que tanto quer. Frustrante é pagar o preço, que pode ser alto, e não conseguir.

Eu não entendo como você não entende o porquê de certas coisas na sua vida não darem certo. Todas as respostas estão diante de você: os erros cometidos, as pessoas que atrapalham, as que ajudam mas você não enxerga, as insistências desnecessárias, o apego em vão. Você vê tudo e finge não saber, porque espera que tudo mude, que tudo melhore sem que você precise se esforçar, sem que precise mudar.

Nesse jogo de aceitar que o mundo não é perfeito e que não há um mal que não traga um bem, você acaba se desgastando e desgatando as pessoas, suas coisas, seus projetos, sua vida inteira. Você se prende ao medo de ousar, de querer mais, de buscar mais. Sempre haverá alguém para lhe colocar para baixo. Sempre haverá alguém capaz de manter a chama do seu masoquismo acesa, tentando mostrar que o melhor da dor é o alívio que vem depois. Sabe o que é melhor? Não doer!

Durante toda a sua vida você verá oportunidades passando pela sua frente e muitas dessas vezes você as deixará passar. Deixará passar amores certos, amigos certos, sonhos certos, porque não consegue largar o que tem.

E nisso tudo, onde fica sua felicidade? Você vai ficar sentado esperando o belo dia em que a felicidade resolve cair no seu colo e transformar sua vida? Felicidade é coisa do cotidiano, das coisas que compõem o seu dia. Felicidade é ter porque e por quem sorrir. Não se prive disso acreditando que a felicidade lhe espera em algum lugar. Ela já esteve em você, já passou por você milhares de vezes e você deixou sair, deixou passar porque segurar a felicidade é tão simples que parece mentira. Você acabou criando abismos em si mesmo incontáveis vezes, porque não ser feliz parece mais verossímil do que ser.

Hoje, você já poderia estar onde sempre quis, já poderia ter tudo o que deseja se tivesse se permitido mais. Vai ficar triste agora? Vai se arrepender de algumas coisas? De jeito nenhum! Não me venha com desculpas para exercitar seu masoquismo. Comece a boicotar os boicotes que você providenciou para a sua vida e passe a ver cada dia como um todo e não uma pequena parte.

Isso significa que você nunca mais será triste? Está louco? Claro que não! Não me venha também exercitar suas ilusões. A vida realmente não é perfeita e você vai continuar sabendo e sentindo isso. Mas só tenha a certeza de que se você cair, não foi porque você mesmo se derrubou. E esteja sempre pronto para se levantar.

Na canção "Cara Estranho" de Los Hermanos há o seguinte trecho: "...É a solução de quem não quer perder aquilo que já tem e fecha a mão pro que há de vir." Não seja esse estranho e abra sua mão, abra sua mente! Não espere a felicidade dos seus sonhos lhe encontrar. Vá atrás e segure quando ela passar. Construa sua própria felicidade e seja ela própria.

Nada, nem ninguém será capaz de lhe proporcionar a plena felicidade se você não quiser ou não deixar. Você não vai encontrar lá fora nada que lhe sirva mais do que o que já tem dentro de você!

Seja qualquer coisa, só não seja seu próprio vilão...


"Aceite o desafio e provoque o desempate. Desarme a armadilha e desmonte o disfarce. Se afaste do abismo. Faça do bom-senso a nova ordem. Não deixe a guerra começar..." (Plantas embaixo do aquário - Legião Urbana)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sonhos de papel? Não! Direito no papel...



No ano de 2009, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu tornar inexigível o diploma em jornalismo para quem quisesse exercer a função de jornalista. Obviamente, tal decisão causou estrondosa polêmica na classe, bem como em outras áreas que se acharam no direito de interferir no assunto. É bem verdade que, posteriormente, uma Comissão da Câmara aprovou a exigência do diploma para jornalismo, mas é sabido que a PEC precisa ser aprovada em plenário para que a questão seja resolvida.

Não comecei a escrever esse texto no intuito de informar o resultado dessa disputa, nem explicar os pormenores jurídicos que envolvem a causa, mas sim para expor o quão irresponsável é a medida de diminuir a importância do diploma, não apenas pela queda na qualidade desse mercado, mas também pela desvalorização do profissional que tende a ter seu trabalho valorado de forma insuficiente.

Não somos ingênuos! Eu, pelo menos, não sou. Sabemos que há muito tempo a imprensa brasileira é formada não apenas por profissionais formados em jornalismo, mas por profissionais de diversas outras áreas que, de alguma forma, acabaram embarcando nesse mundo de informação e comunicação. Ou seja, mesmo com a exigência do diploma para serem, de fato, jornalistas, muitos atuavam e atuam na área sem possuírem a titulação. Mas não são clandestinos ou algo do tipo. Simplesmente, no fim das contas, a exigência, em vários casos, acabava sendo mais voltada para o talento do que para a formação propriamente dita. E não digo que isso tenha sido maléfico à sociedade. Em muitos e incontáveis casos, "jornalistas" por exercício eram e são mais competentes do que muitos jornalistas por formação.

Mas pensemos da seguinte forma: imagine se qualquer pessoa, com qualquer formação pudesse ser médico sem ter se formado em medicina, ser advogado sem ser formado em direito, ser engenheiro civil sem nunca ter frequentado uma aula sequer do curso de engenharia civil. Você confiaria nesses profissionais para examinar sua saúde, representá-lo em busca de seus direitos ou para construir sua casa? Provavelmente não! Quer dizer, COM CERTEZA, não! Por que com o jornalista haveria de ser diferente? Não seria ele tão profissional quanto os outros?

A faculdade de jornalismo não tem como princípio básico ensinar a escrever, o que não faz de você, caso escreva bem, um jornalista nato. Busca ensinar ética profissional e tudo o mais que estiver atrelada a ela, como toda e qualquer profissão tende a exigir de seus profissionais.

Não. Eu não sou jornalista. Escrevo muito (muito mesmo!) porque minha profissão exige e porque, acima de tudo, eu sou completamente fascinada pelas palavras, pela escrita e escrevo porque amo. Eu adoraria ser jornalista, pois sempre quis fazer jornalismo, mas acabei me formando em Direito, e deveria ficar feliz com a inexigibilidade do diploma de jornalista. Mas a verdade é que eu enlouqueceria de raiva se derrubassem a exigência do diploma de Bacharel em Direito ou a exigência de aprovação na prova da OAB para exercer a profissão de advogado. Mas, nada disso acontecerá, até porque, os pormenores jurídicos que protegem os cursos de Direito e que não protegeram o curso de Jornalismo são distintos.

Então você deve estar me perguntando qual a minha opinião sobre a situação dos profissionais não formados em jornalismo mas que atuam livremente como tal? Ora, na minha opinião, deve continuar a mesma. Não sou contra a presença de pessoas não formadas em jornalismo atuando no mundo do jornalismo. Entendeu? Sou contra a inexigência do diploma para reconhecer o profissional como jornalista. Estou falando de reconhecimento da formação.

Então você me pergunta: "Mas não seria o diploma apenas um pedaço de papel?" Não! O diploma, aos trancos e barrancos, é a comprovação de que determinada pessoa dedicou anos de sua vida ao estudo de determinada área para, talvez, ser um grande profissional. Garante que será competente? Não mesmo! Assim como nenhum diploma de área nenhuma é capaz de comprovar a qualidade profissional de uma pessoa e, nem por isso, outros cursos estão abandonando seus diplomas. Mas é o diploma, o pedaço de papel bonito que fica guardado com carinho, ou emoldurado com orgulho numa parede que diz ao mundo que você é um profissional de determinada área. Se você é um bom profissional, não é o diploma quem diz, mas você mesmo.

Eu conheço muitos profissionais que não têm formação em jornalismo, mas atuam na área e são infinitamente melhores do que muitos diplomados. Melhores no português, melhores no pensamento, no raciocínio, no "feeling", e que merecem exercer o "jornalismo" porque honram a profissão, independente da real formação de cada um. Mas, a meu ver, eles são, na verdade, consultores no jornalismo, mas não jornalistas. Não carregam o título.

Sei que muita gente vai discordar desse meu pensamento, mas é dessa forma que enxergo. Sei que ética não depende de diploma, sei que honestidade e talento também não.

Você pode discordar de mim e apresentar milhares de argumentos na tentativa de derrubar os pontos que levantei. Fique à vontade! Só lhe dou uma dica: experimente achar diploma irrelevante quando quiserem tomar o seu... Aí a história será diferente, e sua opinião também!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Perfeição de cristal quebrada em passos sobre ovos...


Você passa a vida ouvindo que cristal quebrado não tem conserto e nunca dá importância a essa simples afirmação, até que precisa consertá-lo e constata que é verdade.

O cristal quebrado em questão é a confiança. Uma vez quebrada, jamais recuperada. E nem adianta, caro leitor, você vir dizer que DEPENDE. Porque não depende de nada.

Quando você deposita em alguém, qualquer que seja o grau de confiança, espera que aquela crença permaneça intacta. E não é necessário que essa confiança seja atingida por uma batida de carreta, nem atropelada por um trem bala. Sem maiores dramas! A pessoa que lhe decepciona não precisa derrubar seu mundo, destroçar suas convicções ou diminuir suas esperanças. Basta que, com pequenas ações, realize a magia de desconstituir a belíssima imagem que você construiu com sua doce ingenuidade natural.

Então funciona assim: determinada pessoa lhe inspira confiança e você se sente uma pessoa abençoada pelos céus por ter a possibilidade de confiar em mais alguém, de ter mais um amigo. E desse amigo, você acaba esperando grandes coisas, grandes ações, ou seja, você espera que essa pessoa seja capaz de fazer por você o que você é capaz de fazer por ela. O nome disso é ilusão, querido leitor! Dos duzentos amigos que você acredita ter, menos de dez seriam capazes de fazer por você as grandes coisas que você espera que um amigo faça. E olhe lá se esse número não estiver reduzido a apenas UM! E agradeça por ainda ter UM amigo, porque tem gente que nem isso tem!

Você conhece muita gente, mas não tem muitos amigos. Estou errada? Quem disse? Não seja teimoso, caro leitor! Não minta para si mesmo! No fundo, você sabe que 90% das pessoas que você chama de amigos, na verdade, você adoraria chamar de colegas, mas como o termo "colega" não é o preferido da humanidade, acaba ganhando um tom pejorativo e, por isso, quase ninguém o utiliza de bom grado. Saiba diferenciar amigo de colega. Amigo lhe confronta, diz verdades dolorosas, briga por você, admira suas conquistas e, quando pode, contribui para que elas aconteçam. O amigo faz você se conhecer melhor, provoca reavaliações de caráter e de comportamento, cresce junto com você. Já o colega, ele não faz tanta falta quando você passa muito tempo sem o ver, e quando vocês se reencontram é diferente, parece que alguma coisa se perdeu. Você sabe pouco sobre a vida dele, não porque ele não conta, mas porque você pouco se interessa e vice-versa. Mas é natural, é assim mesmo que funciona! É porque é assim. Colegas são legais, bacanas e queridos. Amigos são, simplesmente, fundamentais! E muitas vezes, para valorizar os amigos, você precisa de colegas.

Pois bem, então o que a quebra de confiança tem a ver com isso tudo? Tem a ver que, quando um desses amigos que você tem passa a agir de forma desproporcional ao que estava no manual, você começa a questionar a verdadeira importância daquela amizade e a verdadeira sinceridade daquela pessoa que começa a assumir uma nova personalidade que você não conhece. Mas essa "nova" personalidade é velha. Você que não viu! É aí que você acorda para a vida e percebe que perdeu o controle, e se deixou levar pela falsa ilusão de confiança.

A verdade mesmo é que quando você conhece alguém que o agrada, você age da forma mais estúpida que poderia agir e, de repente, fecha os olhos para os pequenos avisos de que aquela pessoa não é tão perfeita quanto você pensa.

Mas não se desespere! Você não precisa se afastar de todos só porque você não pode confiar sua vida a eles. Calma, não seja infantil! A quebra de confiança que estou falando não é a revelação de um segredo seu, ou atitudes tomadas de forma fria e calculista para lhe prejudicar. Falo das repetidas promessas não cumpridas, das mentiras sinceras, da prática de fingir que não lhe deve explicações por simplesmente achar que você não vai perceber os deslizes, que você vai esquecer, ou que você não merece, ou seja, das pequenas coisas que juntas comprovam que confiança não é produto de feira barata que você encontra em qualquer lugar, em qualquer pessoa.

As decepções, nesses casos, tendem a deixar você mais esperto. Você consegue conviver normalmente com as decepcionantes figuras (seja maduro, ora bolas!), mas saberá exatamente onde estará pisando.

Você pode fugir à regra e ter dezenas de amigos verdadeiros para sempre, todo o sempre, para a vida eterna? Pode, claro! Só não esqueça que nesse caso, mais importa a qualidade do que a quantidade.

Você está se perguntando como saber quando alguém é confiável ou não, para evitar decepções? Infelizmente, você só saberá quando a pessoa o decepcionar. Mas deixo aqui uma dica: espere pouco das pessoas. Com baixas expectativas, a queda é sempre menor.

Uma coisa é certa: quanto ao seu melhor amigo, o maior de todos, não há dúvidas, esse você sabe muito bem quem é! Mais do que confiança ele lhe inspira a segurança de que com ele você nunca vai precisar se preocupar. Essa amizade não se explica. Ela se justifica em si mesma...


[Para assistir: FRIENDS]

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eu poderia...


Eu poderia ser a caixa onde você guarda seus sonhos
A delicadeza que você espera da vida
Eu poderia ser o som que contorna seus pensamentos
Eu poderia ser mais do que lhe oferecem seus segredos
Na linha do tempo, eu poderia ser o seu dia
Mais que ofertar-lhe um beijo
Dar-lhe brasa em calmaria
Eu poderia, sem pressa, ensinar-lhe a dançar
Ser os seus olhos quando a vista parecer escura
Quando a Terra parecer estúpida
Quando o mundo não lhe for fiel
Eu poderia dar-lhe asas sem sair do chão
Poderia desenhar o caminho por onde vão seus pés
Dar-lhe o mapa para guiar seus tropeços infinitos rumo ao nada
Ser a navalha que corta os seus medos
Ser seu frio sem pretexto
Ser a letra da mensagem nunca enviada
Poderia ser o plano traçado sem medida
A linha trêmula do mapa sem destino
Poderia ser a voz que lhe diz o que fazer
O ponto fraco do seu ponto forte
A metade do seu todo
O melhor lado
A maior parte
Eu poderia ser tanta coisa no seu complexo mundo
Mostrar-lhe o tanto de coisas que delimitam o ser
Mais do que qualquer coisa, eu poderia ser você...

Tropa de Elite 2: Mais realidade do que você gostaria de acreditar...


O filme Tropa de Elite (o primeiro) foi, sem a menor sombra de dúvidas, um fenômeno. Pois é, nem preciso citar aqui os motivos. Diante de um primeiro filme polêmico, premiado, adorado, um verdadeiro sucesso, o que esperar de sua sequência? Seja lá o que você esperou, garanto que não foi nada comparado ao que a segunda parte da saga do Capitão Nascimento realmente é: um banho de realidade!

O Capitão agora é Coronel e já não faz mais parte do BOPE. Não se preocupe! Não vou contar detalhes sobre o filme. Não seria cortês da minha parte retirar de quem ler este post o prazer de assistir ao filme sem saber dos seus melhores detalhes.

Mas todo mundo sabe que "o inimigo agora é outro". Durante todo o filme você esquece do tráfico e presencia uma detalhada história de como funcionam as milícias no Rio de Janeiro.

O problema é no Rio de Janeiro? Ou DO Rio de Janeiro? Não! Aí é que você se coloca no filme e passa a ver que aquilo tudo é problema do Brasil. Retire as armas, retire o sangue, retire as mortes retratadas na película e olhe ao seu redor: Tropa de Elite 2 conta a história da sua vida. Mas como assim? Explico:

Apesar de toda e qualquer interpretação diversa, o filme traz a nítida sensação de que tudo acontece por interesse. Você vê pessoas trocando favores, não importando hierarquia, patente, função etc. Favores que, na maioria das vezes (quase todas), tornam-se mais importantes do que qualificação. Pergunte a si mesmo se você já deixou de ganhar algo, ou já perdeu algo porque alguém devia um favor a outra pessoa e por isso, sua cabeça rolou. Porque você era menos importante naquele jogo de interesses, porque você, simplesmente, não entra no jogo. Porque você é honesto e competente o bastante para não precisar vender sua dignidade e suas ideias. O filme mostra de maneira muito clara o quão descartáveis podem ser as pessoas e como seus direitos são desprezados. Mostra que por trás de certas faces, há uma podridão de caráter que você nem imagina. Mostra que, no jogo, são meras peças de um tabuleiro, comandadas por quem detém o poder. O poder de escolha, o poder de decisão sobre a minha, a sua, a nossa vida.

Tropa de Elite 2 é mais do que um filme de ação, mais do que uma sensação de "deja vu". Ele conta a atual história do Brasil de uma forma tão perfeita que não duvide se daqui a alguns anos fizer parte dos livros didádicos de seus descendentes. E, indiretamente, você fará parte desses livros também porque, infelizmente, você faz parte dessa história...

Sem mais delongas, assista ao filme, pois nada do que eu exponha aqui será capaz de lhe causar a inevitável sensação que o filme traz de que o interesse gira a "roda da vida". Apesar disso, seja você mesmo e sempre corra por fora!

Apesar de tudo, é SEMPRE mais inteligente NUNCA ser o inimigo...


[Para assistir: "Tropa de Elite - O Inimigo Agora é Outro", que merece todos os prêmios possíveis!]

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Deixa eu brincar de ser feliz...

Recife, 15 de outubro de 2010. Eu sabia que seria um show especial. Viajei com meus amigos para ver Los Hermanos juntos novamente, num show que tinha tudo para ser histórico. E foi!

Horas antes de começar, uma fila quilométrica já se formava em frente à entrada. E ninguém reclamava. Assim que pisamos na entrada sentimos em nossos pés a vibração da primeira música, e essa vibração correu o corpo todo até chegar aos nossos ouvidos. Era oficial: estava começando a noite que tanto esperamos. O coro de fãs entoava cada letra, cada nota da canção. O Centro de Convenções do Recife estava lotado. Era difícil enxergar o palco, mas isso não fez a menor diferença. Show de Los Hermanos é Show de Los Hermanos. Você sente as músicas na pele, não importa a quantos metros do palco você esteja. Depois de tanto tempo sem vê-los juntos, cada pedaço de palco já era válido. Nem os problemas técnicos de som abalaram a grandiosidade daquela noite. Quando o som da banda ficava baixo, as vozes do público (onde eu nos incluo) permanecia alta, cantando fervorosamente as músicas e o instrumental de Los Hermanos.

Desde os anos 80, nenhuma outra banda nacional foi capaz de criar tamanha idolatria, tamanha fidelidade num show. Os metais sempre acompanhados das vozes, dos gritos... show de Los Hermanos é mesmo único! Foi incrível rever como o público de Los Hermanos é diferenciado. Ninguém briga. Ninguém vai ao show por outros interesses. Todos vão para ficar à mercê da hipnose causada pelo quarteto e sua fiel banda de apoio. É isso! Em show de Los Hermanos o público fica hipnotizado, cantando o amor, cantando a desilusão, cantando a vida.

Pois é, cantando seus últimos romances, deixando seus verões para mais tarde, gritando suas condições para amar, assumindo o lado sentimental, imaginando suas conversas de botas batidas, acreditando que a estrada vai mesmo além do que se vê... as pessoas ali presentes estavam entregues à mais absoluta emoção, esquecendo o mundo que rodeava aquele lugar, esquecendo tudo que não se encaixasse naquelas canções.

É... foi um show lindo! E eu estava lá. Eu e meus amigos. Vivendo todas essas linhas acima e sabendo que aquela não era uma noite comum. Estávamos presentes no histórico show em que Los Hermanos provaram (mais uma vez) que não há uma outra banda que consiga decifrar tão perfeitamente o nosso avesso.

E eu não quero saber se eles vão parar de vez depois dessa turnê. Se todo carnaval tem seu fim, eu não sei. Mas sei que o vento vai dizer lento o que virá... e assim eu quero Bis de Los Hermanos, num loop infinito.

“Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz...”


[Para assistir: Todo e qualquer vídeo de qualquer show de Los Hermanos (Para que você possa entender o que falei). / Para ouvir: Toda a discografia de Los Hermanos no volume máximo.]

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Machinehead - A cabeça é uma máquina do tempo...

Tenho memória olfativa. E quem não tem? Ontem, eu me peguei lembrando da minha antiga escola, a primeira, onde eu estudei do maternal à 8ª série (como chamava antigamente), e tal lembrança foi provocada pelo cheiro. Cheiro de material escolar. Cheiro que me remeteu às memórias dos corredores daquela escola, daquelas salas de aula, daquele antigo prédio... De repente (nem tão de repente assim) eu percebi como o tempo passa rápido e como é interessante viajar um pouco ao passado e lembrar a imensa quantidade de coisas que já vivemos.

E nessa viagem, constato que aquela escola formou meu caráter. Não por ser uma escola religiosa, mas porque eu tive a sorte de conviver com as pessoas certas. Muitas dessas pessoas eu não vejo há anos, muitas eu sequer sei como estão hoje (torço para que estejam bem!), mas eu não as esqueço. Em compensação, algumas dessas amizades eu ainda mantenho, e acho isso incrível, porque vejo pessoas se lamentando por não conseguirem manter amizades por toda a vida. Não é o meu caso. Pelas escolas que passei e pela Universidade, consegui somar muito mais do que conhecimento, somei grandes pessoas que levo pela vida sem largar. As maiores e melhores amizades.

E da lembrança da primeira escola, veio a da segunda e, consequentemente, a reflexão do que esses períodos fizeram por mim. Eu que quis por tanto tempo ser jornalista, mudei a opção de carreira para fazer Direito. Tornei-me advogada, mas sempre com o pé (e principalmente as mãos) nesse mundo das letras não-jurídicas. A cabeça... essa sempre se dividiu entre os dois mundos. E isso me levou a ser oradora da turma na colação de grau, pela necessidade de expressar em palavras o que aquele momento significava. Muito mais do que encerrando uma etapa da minha vida, muito mais do que entrando efetivamente no mundo jurídico, eu estava materializando os sonhos que eu tive nos corredores daquela escola, daquele prédio antigo, naquela cantina que vendia refrigerante Taí e Fanta Uva (esta ainda como novidade): estava crescendo!

Eu não teria sido a aluna que fui não fosse o que aprendi naquela primeira escola. A segunda escola não teria sido a experiência maravilhosa que foi. A Universidade, essa sim foi a consequência daquelas linhas que eu havia escrito e que continuo escrevendo.

Olfato... como é danado este sentido! Tão danado quanto a audição que me provoca de igual maneira. Quando ouço “O Vento” de Los Hermanos, por exemplo, lembro IMEDIATAMENTE do meu último ano na Universidade, pois eu ouvia demais essa música nos quilômetros que me levavam à aula. E tais lembranças vêm sempre com um leve sorriso no rosto e um pedido silencioso de nunca esquecê-las.

Há alguns posts atrás eu falei sobre o Direito ter me escolhido, e não o contrário. E volto a acreditar que tenho razão. Porque, minha paixão pelas letras é tão imensa que só o destino mesmo para não me permitir marcar a opção jornalismo quando prestei vestibular. De lá para cá, tenho sido escritora, de incontáveis textos e coisas, de ilimitadas ideias, de incansáveis sonhos.

Acima de tudo sou, sem dúvida, a soma das minhas escolas, de suas paredes, dos cheiros, de suas pessoas, onde aprendi a sempre querer ser melhor. Com essas lembranças aprendi a ser saudade...

Profissional da área jurídica, do entretenimento, enfim, sou escritora, sou domadora das letras que me pertencem. Sou ilustradora gramatical das minhas ideias. Sou a versão mais velha daquela menina que sonhava em ser a maior jornalista do país, a maior jurista dos tribunais.

Mas ainda não sou tudo o que pretendo e posso ser. E por isso, lanço-me diariamente o desafio que aprendi desde pequena, que aprendi com meus sonhos e com o meu crescer: Desafio-me a ser mais... SEMPRE!

E de lembranças somos feitos. Fotográficas, auditivas, olfativas... E assim vamos criando novas lembranças, para que o futuro possa ter o prazer de ser nostálgico, de ser muito mais do que nosso sonho de criança... de ser a materialização incontestável das nossas conquistas.

É... o tempo realmente passa rápido. Bobagem! Eu corro ao lado dele... e o coloco em minhas mãos!


[Para assistir: The Goonies (Os Goonies), porque é o melhor filme para relembrar a infância. / Para ouvir: Tempo Perdido (Legião Urbana), porque eu gosto!]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"Nosce te ipsum ut sis qui es"... Ou ainda, não abandone suas idiossincrasias!


Fulano não gosta de você. O que você faz? Vai tentar saber o porquê e, com isso, tentar suprir a eventual falta de alguma coisa que faz com que fulano não goste de você? Não faça isso! Quem se acha no direito de formar uma opinião desagradavelmente precisa sobre você sem ao menos lhe conhecer, dificilmente tem a capacidade de reconhecer ser um exímio exemplar da imaturidade e, por isso, não mudará de opinião.

Não importa quem você é, quantos anos tem ou em que fase da vida você está. Sempre haverá alguém que não gosta de você e que lhe critica de alguma forma, seja para reforçar o que pensa sobre você, ou simplesmente por pura gratuidade de opinião insignificante. Mas é claro que, muito provavelmente, saber que Fulano e/ou Beltrano não gostam de você é o suficiente para lhe provocar uma série de questionamentos sobre seu comportamento e, muitas vezes, faz você buscar em si defeitos que você nem tem, mas que seriam a explicação perfeita para essa resistência de certas pessoas a gostarem de você.

Só me responda uma coisa: você precisa disso? Que todas as pessoas (e animais irracionais) habitantes do planeta Terra estejam propensas por natureza a gostar de você? Precisa mesmo? Eu mesma respondo: Você não precisa querido e inseguro leitor!

Aqui vai um exemplo bobo, mas que servirá para esclarecer o que digo. Pense comigo: Se você, por exemplo, sei lá, tem a mania de terminar suas frases com expressões em inglês, mas fulano acha isso irritante e, por isso, você se condiciona a não mais utilizar essa forma de expressão, você pode acabar diminuindo o seu charme, aquele que faz com que algumas pessoas vejam em você algo especial. Então, para agradar um, ou alguns, você muda em detrimento de outros. Mas o pior é que essa mudança não é uma simples alteração no que pensam sobre você. É, na verdade, uma mudança em detrimento de si mesmo.

Não adianta! Sempre que você tentar aparar as arestas, vai aparecer outra coisa que você terá que consertar. Sempre que você tentar agradar a uma parcela de pessoas que insistem em acreditar que têm, de alguma forma, domínio sobre você, só estará adaptando sua personalidade a uma realidade desenhada pelos outros.

Então, de que adianta você se preocupar com o que pensam os outros? Se você leva uma vida correta e faz o melhor que pode, se você se dedica a mostrar sempre o melhor de si, como ousa se preocupar com o que pessoas que, em sua maioria, são insignificantes em sua vida pensam a seu respeito? Se você é chato, não é tão bonito quanto o padrão de beleza impõe, tem gostos criticáveis, tem manias esquisitas, fala de um jeito irritante, anda meio torto e tudo isso é fruto da opinião de pessoas que sequer conhecem você bem, por qual motivo – veja bem – POR QUAL MOTIVO você vai se preocupar com esse tipo de opinião alheia?

Vivemos num mundo onde a inveja mora ali, vizinha do sucesso. Onde pessoas frustradas pelo que não têm ou pelo que não são simplesmente não sabem construir objetivos e desejar um futuro próprio, e passam a acreditar que para realizarem seus sonhos precisam deturpar os dos outros. E é por isso que você precisa ter discernimento para saber quando alguém está lhe fazendo uma crítica construtiva por se importar com você (o que não quer dizer que essa pessoa tenha razão) ou se é uma gratuita e inconveniente crítica destrutiva que só vai servir para detonar sua auto-estima.

E é nessa constante batalha entre egos e personalidades que você acaba descobrindo, também, que tanto você quanto os outros podem mudar simultaneamente suas opiniões quando se conhecem melhor. E que muitas vezes você é obrigado a confrontar-se diante de provações que lhes são impostas. Diante disso, você descobre que o mais importante, o ponto de partida, é conhecer-se de verdade.

Ande para frente, leitor! E passe a se preocupar com coisas realmente importantes, e não com o que fulaninho e beltraninho acham disso e daquilo. Lembre-se que sua família e amigos são as pessoas que conhecem você melhor do que o resto do mundo, e isso implica conhecer seus defeitos mais irritantes e, ainda assim, permanecem como partes integrantes e fundamentais da sua vida. E quando bater aquela velha insegurança sobre suas próprias imperfeições públicas, nem pense em levar para a sua vida a filosofia do “Assim é se lhe parece”. A ideia que as pessoas têm de você deve ser resultado do que você é, e nunca o contrário.

O mundo está cheio de Fulanos e Beltranos. Cabe a você saber lidar com eles, lembrando que não lhe faz falta quem em nada lhe acrescenta... Nunca permita que interfiram em suas idiossincrasias!

"Conhece-te a ti mesmo para seres quem és."


[Para assistir: “Breakfast Club (Clube dos Cinco)”. Não que tenha 100% a ver com o post, mas mostra como opiniões equivocadas podem deixar marcas na personalidade de alguém. / Para ouvir: Metal Contra as Nuvens (Legião Urbana). Porque eu gosto!]

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

MILLANE HORA e a transformação de tudo em melodia...

Hoje é dia do cantor (é o que se diz na internet). Independente da credibilidade da fonte, aproveito a data para falar sobre uma cantora cujo talento deve ser comemorado todos os dias:

MILLANE HORA.

Eu já falei sobre ela neste blog, e já quis tornar a falar várias outras vezes. Mas é sempre tão gratificante para mim tecer comentários sobre o talento desta incrível cantora, que cada ideia acaba se renovando na velocidade da luz. Mas hoje, eu paro para escrever sobre esta cantora alagoana com talento de proporções continentais.

E para que você possa entender o que falo, tentarei descrever o que é ver e ouvir Millane Hora.

Palco. Você olha para o palco e vê um simples local onde o artista se apresenta. Mas a maneira correta de olhar para o palco é enxergá-lo como um pedestal onde o artista se coloca, para expor sua alma a quem está ali, disposto a ouvi-lo. Quando Millane sobe ao palco, este palco se faz luz. E não me refiro às luzes dos refletores. Refiro-me à luminosidade que transparece nos seus movimentos ao caminhar, ao dançar, ao olhar para seu público, ao viver a música. E esta imagem se une ao lindo som de sua voz, que parte da suavidade melódica rumo à potência vocal do seu inconfundível timbre. Quando Millane canta, sua voz preenche todo o espaço. Millane Hora é a própria definição do talento, do que significa ser cantora, intérprete. Sua voz ressoa forte, ainda que suave, e passeia pelos tons com a maestria de quem sabe por onde anda. Ouvir Millane Hora cantar é um privilégio, e falo isso com a propriedade de quem conhece a boa música, de quem sabe reconhecer qualidade vocal, e ainda, qualidade moral.

Mas é fato de que nada do que eu diga, nenhuma descrição que eu faça, fará jus ao que realmente significa o talento de Millane Hora e sua inesgotável capacidade de transformar tudo em melodia. Sei que sempre terei mais coisas a acrescentar, mais elogios a fazer, mais constatações. Por isso, neste caso, a melhor forma de entender é ouvindo...

Finalizo este post com a mais óbvia constatação: o talento de Millane Hora é quase do tamanho do mundo... é, talvez (e provavelmente) seja maior!

[Para assistir: DVDs de Millane Hora, "Despertar Meu Destino" e "Mais Perto" / Para ouvir: Obviamente, Millane Hora, cantando qualquer coisa]

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta." (Cecília Meireles)


sábado, 25 de setembro de 2010

"A estrada vai além do que se vê..."


Conheci a banda Los Hermanos da mesma forma que você (provavelmente) e 90% da população brasileira (não espere exatidão nesta porcentagem): através de Anna Julia (assim mesmo, como na capa do CD: Anna com dois "N" e Julia sem acento). Até então, Los Hermanos era uma banda que tinha todo o potencial para figurar as listas da MTV e de tudo o que era pop. E foi sucesso absoluto.

Acontece que, quem pensava que eles continuariam naquela mesma linha, acabou se enganando. De repente, o que se ouvia era uma sonoridade muito diferente do que aquela música estourada nas paradas de sucesso (essa expressão é tão antiquada!) apresentava, e o que se viu foi algo completamente diferente daquela música que contava a história de um amor não correspondido.

Confesso que, por um bom tempo, neguei-me a dar atenção à banda porque dei ouvidos às fofocas de que Los Hermanos não mais tocava (não flexiono o verbo porque me refiro à banda. E considere assim daqui por diante, caro leitor) Anna Julia em seus shows. Então pensei: "muito bonito! Cuspindo no prato que comeu... depois de alcançar o sucesso, fica aí, renegando as raízes!" Quanta imaturidade! MINHA, é claro! Até eu aceitar que o que houve foi um amadurecimento sonoro da banda, precisei que um batalhão de amigas se esforçasse em me convencer de que Los Hermanos era uma banda maravilhosa ao ponto de gravarem cds para que eu ouvisse e constatasse isso. Não foi preciso muito tempo para que eu percebesse que aquele som fazia parte de um mundo diferente.

"A flor" foi a primeira música a me provar que Los Hermanos era maior do que eu imaginava. Por isso, fui aos shows. E digo a você que, se você nunca foi a um show de Los Hermanos, não faz a menor ideia do que perdeu. Você perdeu, simplesmente, um dos shows mais viscerais que você poderia ver na vida. Ah, eu não estou me referindo à banda. Mais visceral do que o quarteto, é o seu público. Em show de Los Hermanos as pessoas gritam as canções, as pessoas veneram o som, todo o público fica voltado para o palco durante toda a duração do show cantando, inclusive, o instrumental das músicas. Isso mesmo! O público do show de Los Hermanos vira um quinto instrumento e se entrega às letras com paixão ao acompanhar o naipe de metais. Amigos abraçados bradam as letras que parecem despir a alma de seus intérpretes Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante.

Se "A Flor" foi a música que me fez respeitar Los Hermanos, "Último Romance" foi a música que me fez ficar COMPLETAMENTE FASCINADA pela banda. Ouvir o seguinte: "E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei(...) E só de te ver, eu penso em trocar a minha TV num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira, e ir onde o vento for, que pra nós dois sair de casa já é se aventurar..." cantada na voz rasgada de Rodrigo Amarante, simplesmente, possibilita a você a chance de elevar seu nível de exigência musical, tamanha a genialidade da sutileza detalhada na canção.

E a interação entre o público e a banda se estendia ao cantar "eu só aceito a condição de ter você só pra mim. Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir...". Ou ainda, "é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê", bem como "numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê" [Informação que talvez lhe interesse: esta expressão, inclusive, é uma das mais repetidas no "quem sou" do orkut, onde as pessoas se definem. Em sua maioria, sequer sabem a origem da expressão, sequer ouvem Los Hermanos].

Continuemos... expressões como "eu sei, é um doce te amar, o amargo é querer-te pra mim" e "como pode alguém sonhar o que é impossível saber? Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer (...) Não sei mais. Sinto que é como sonhar, que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer..." fazem parte da imensa lista de letras cantadas a plenos pulmões por quem gosta da banda, por quem entende o seu som.

O chamado hiato (a pausa) que os integrantes da banda Los Hermanos se impuseram, causou frustração aos admiradores de suas músicas. Mas agora, a banda volta a fazer shows em alguns lugares do país (eu vou!), cujos ingressos, penso eu, já não existem mais. Quem comprou, comprou!

As músicas dos Los Hermanos (agora me refiro aos rapazes) não são comerciais e não precisam estar na moda. São músicas de verdade que já ganharam lugar no pedestal das grandes canções, que não expiram, não perdem o significado.

Você pode ouvir diversas músicas de diversos compositores e apontar várias delas como integrantes da trilha sonora da sua vida. Mas em se tratando de amor, posso lhe garantir, são as de Los Hermanos que retratam o amor que você pode ter e, no fundo, o que você realmente quer. E, se você tiver sorte... retratam o amor que você JÁ tem.

Realmente, com as músicas de Los Hermanos, você acaba percebendo que a estrada vai além do que se vê...


[Para assistir: DVD Los Hermanos no Cine Íris (de onde foi extraído o vídeo abaixo) e DVD Los Hermanos na Fundição Progresso / Para ouvir: Toda a obra de Los Hermanos (inclusive, Anna Julia)]

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Das pequenas GRANDES coisas (ou "sua folga particular")


Tenho me dedicado à leitura de um livro o qual não consigo terminar de ler. No começo, achei que era por falta de tempo, depois passei a achar que era desleixo, até que percebi que ando retardando o fim dessa leitura porque ela me faz feliz.

Quantas vezes retardamos o fim de alguma coisa porque ela nos faz feliz?

Gosto de comer devagar (embora não consiga) para degustar o sabor daquele alimento por mais tempo, gosto de ouvir a mesma música no “repeat”, incontáveis vezes, gosto de pegar o caminho mais longo para dirigir mais, para ver mais paisagens, para ver mais pessoas. Gosto de assistir ao mesmo filme quantas vezes for possível. Gosto de rir das mesmas piadas, gosto que elas demorem a se renovar. Gosto de ver constantemente os mesmos amigos, gosto do fato de nunca mudarem.

Estranho como a gente almeja grandes coisas, sonha com riqueza e sucesso estrondoso, e consegue se sentir feliz com tantas pequenas coisas. Estranho? Espera... Acho que não. Na verdade, não é estranho. É pura lógica: grandes coisas são a junção de várias pequenas coisas unidas para formar aquelas grandes coisas. É isso mesmo? É sim! É exatamente isso. Tudo o que é grandioso, luxuoso, glamouroso é formado por partes de simplicidade.

Então isso explica o fato de eu ter assistido a episódios de FRIENDS nas horas que antecederam minha prova da Ordem, bem como explica toda a calma com a qual eu fui lá, enfrentar a tão temida avaliação. Eu estava feliz! A felicidade causada por pequenas coisas.

Desde então, FRIENDS passou a ser o meu calmante, um dos estimuladores oficiais de serotonina no meu cérebro quando o dia está pesado, quando as coisas parecem querer me atropelar, quando a vida está corrida demais e é preciso pegar um jato supersônico para acompanhar seu ritmo. [Trecho explicativo: Você não sabe o que é serotonina? Aqui vai uma breve explicação: a Serotonina é um neurotransmissor que está relacionado aos transtornos do humor. Ou seja, se você está feliz, agradeça ao seu querido cérebro por manter os níveis de serotonina estáveis.] Explicação dada, vamos prosseguir...

Então você retarda o fim daquela coisa boa que você faz. Você faz isso para aproveitar mais. De repente, faz sentido você parar e avaliar se você está sendo generoso consigo mesmo. Mas como assim? Não acredito que você não entendeu. Certo, eu explico. O quanto de atenção você dá a si mesmo? Não! Eu não estou dizendo que você precisa ser narcisista. Estou dizendo, simplesmente, que você precisa se dedicar a você, seja de que forma for. Parar um pouco no tempo para se atirar em si mesmo. Enxergar as coisas que você tem, as pessoas que você tem por perto para, de uma forma muito mais inteligente, saber somar as pequenas coisas a fim de construir algo muito maior.

Há alguns anos, ainda na escola, minha professora me convenceu a mudar o título de uma redação que seria “parar para não parar”, sob o argumento de que a sonoridade do título não ajudava o texto, cujo conteúdo era sobre greve.

Pois bem, anos depois, trago aquele título na forma de sua concepção e desafio você, que está lendo este texto, a parar. Pare um pouco! Pare para se ver e não ficar estagnado em determinado ponto da sua vida. Respire, aproveite mais alguma coisa. Retarde o fim daquilo que lhe faz feliz. Feito isso, sugado até o sumo de suas mais puras felicidades, prossiga. Você verá que chegará muito mais longe do que imaginava... Antes disso, você precisa mergulhar no seu universo mais particular.

Agora, com licença... vou prosseguir na minha leitura...


[Para assistir: "Ferris Bueller's Day off" (Curtindo a vida adoidado), um clássico da Sessão da Tarde. / Para ouvir: "O Vento" (Los Hermanos)]

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Músicas em Série (Parte 2)


Depois de vários posts, volto ao tema que antes dominava este blog: SERIADOS. Mais precisamente, trilha sonora de seriado. Hoje, trago a trilha magnífica de Skins, mas não sem antes falar um pouco sobre a própria série.

Skins - ou Juventude à flor da pele, como é chamada aqui no Brasil - é uma respeitada e aclamada série inglesa que retrata a vida de um grupo de adolescentes que costuma viver em conflito com os limites que, naturalmente, são impostos antes de alcançarem a fase adulta. Mas se Skins é tão aclamada, por qual motivo as pessoas que conheço não conhecem Skins?

Inicialmente, não passa na tv aberta, o que já dificulta um pouco o acesso a ela. É transmitida, simultaneamente, pelo HBO plus e pelo VH1, canais excelentes, mas não os mais populares.

O que chama a atenção em SKINS? A série, apesar de ser aberta a polêmicas é, na verdade, um retrato cru de uma realidade que a tv não costuma abordar. Estamos todos muito acostumados a nos familiarizar com as histórias de adolescentes americanos, ricos, populares, nerds, líderes de torcida, jogadores de futebol. Skins prova que os ingleses também sabem fazer sucesso. Esses adolescentes não são exemplos de boa conduta, mas são personagens extremamente profundos. A série acaba se tornando tão interessante para os adultos quanto para os próprios adolescentes, dada a qualidade técnica e complexidade dos personagens.

Skins já teve 4 temporadas, o que equivale a duas gerações. Seus criadores tiveram a brilhante ideia de renovar o elenco a cada dois anos. Ou seja, cada geração de elenco dura apenas duas temporadas, tempo suficiente para conhecê-los e acompanhar seu crescimento na série. Os atores são, obrigatoriamente adolescentes. Não são como os jovens de séries americanas que já se aproximam dos 30 anos (vide "Barrados no Baile").

Cada episódio é focado em um dos personagens, recebendo, por isso, seu respectivo nome como título. Ocorre, também, de haver um episódio por temporada dedicado a todos eles.

A cada episódio, é possível mergulhar no universo particular do personagem que o intitula e, assim, descobrimos que muito embora reprovemos a maioria de suas atitudes (senão todas), temos que aceitar que ele age daquela forma por algum motivo. Os diálogos são inteligentes e verossímeis. Condizem, perfeitamente, com a realidade de cada personagem. Em nenhum momento você verá esses adolescentes dialogando como se fossem mais velhos (como acontecia em todos os episódios de Dawson's Creek) ou como se fossem estúpidos. Muito pelo contrário. São adolescentes, falando como adolescentes inteligentes que sofrem, tomam decisões erradas, deturpam seus próprios princípios e se divertem.

Tem muito palavrão, sexo, drogas, traição e afins? Tem. Mas Skins nunca procurou ser uma série destinada a passar uma mensagem moral para os telespectadores. É puro entretenimento muito bem produzido e dirigido, aproveitando-se do fato de que o conservadorismo europeu não é tão violento quanto o americano. Mas isso não impede que quem a assista possa tirar alguma lição do que ali é retratado, afinal, da arte se absorve tudo. Uma coisa não se pode negar, Skins tem uma linguagem nunca antes vista, uma forma de contar a história só dela, comprometendo-se, apenas, com o desenrolar da individualidade de cada personagem e em como isso reflete no todo.

A fotografia da série é absolutamente IMPECÁVEL, bem como sua trilha sonora, que deu origem a este post. A trilha é PERFEITA, IRRETOCÁVEL! Vale a pena conferir algumas das várias músicas da primorosa seleção (que passeia por John Lennon, Lady Gaga, Michael Jackson, Snoop Dogg, Bon Jovi, Chemical Brothers, Aerosmith, entre outros) das - até agora - quatro temporadas:

Chemical Brothers – Star Guitar, Susanna and the Magical Orchestra – Believer (também presente em Grey's Anatomy), Gloria Jones – Tainted Love, John Lennon – Instant Karma, Liars – Mr You’re On Fire Mr, Little Richard – Lucille, You Love Her Coz She Is Dead – Superheroes, Portishead – Machine Gun, Joy Division – She’s Lost Control, Snoop Dogg – Drop It Like Its Hot, Lady GaGa – Beautiful, Dirty, Rich, Lady Gaga – Brown Eyes, Glasvegas – It’s My Own Heart That Makes Me Cry, Dinosaur Jr - Said The People, The Clash – Police and Thieves, Michael Jackson - Man in the Mirror, Christina Aguilera - Save Me From Myself, White Stripes – Seven Nation Army, Aerosmith – I Don’t Want To Miss A Thing e Skins cast (original do Cat Stevens) – Wild World.

Você não precisa assistir se não quiser. Mas, com certeza, deveria ouvir!

Nesta série (que recomendo muito) tudo está à flor da pele. Inclusive o sucesso...

[Para assistir: Skins (óbvio!) / Para ouvir: Trilha sonora de Skins (mais óbvio ainda!)]

domingo, 22 de agosto de 2010

I'll Be There for You. Ou, a matemática do seu "EU"...


Sua imagem não se resume ao reflexo no seu espelho. Isso é fato. Sua imagem se estende até onde terminam seus amigos. Não entendeu? Vamos nessa entender, então!

Desde sua tenra idade, você convive com pessoas de diversas personalidades e, todas elas, de alguma forma, somaram à formação do seu caráter. Ou seja, desde os primórdios da sua vida social, você está ligado(a) a pessoas que acabaram por definir o que você é hoje. Essas pessoas são, exatamente, os seus amigos. Tanto aqueles que além de amigos, são família, quanto aqueles que de tão amigos, agora fazem parte dela.

É nos seus amigos que você encontra todas as características que você se identifica, bem como características que você abomina. É na convivência com eles que você aprende a distinguir o que você quer para si e o que não quer. É nessa convivência que você aprende a fazer sentido na vida, para si e para os outros.

Com seus amigos você aprendeu a aperfeiçoar o que você aprendeu em casa, com sua educação familiar. Com seus amigos você aprendeu a correr mais rápido, a subir em árvores sem se machucar (ou a se machucar sem gravidade), a desvirtuar valores em jogos como Banco Imobiliário e Imagem e Ação, a mergulhar na piscina diferente do que seus pais ensinaram: de olhos abertos. Aprendeu a andar de bicicleta com perigo. Com seus amigos você aprendeu que o primeiro amor podia não ser o único e que você podia chorar horas em suas companhias por isso. Aprendeu que seus brinquedos não eram só seus, eram deles também. Aprendeu que em alguma briga vocês podiam jurar inimizade eterna, até virarem amigos para sempre de novo. Com seus amigos você aprendeu que apelidos nem sempre são legais, mas que algumas vezes significam uma ligação única entre vocês. Com seus amigos você aprendeu que trabalho em grupo, na escola ou faculdade, nem sempre significa que todo mundo faz alguma coisa. Com seus amigos você apendeu que conta telefônica pode ser cara, que internet dá muito sono e que cartas e bilhetes trazem uma gostosa nostalgia que não tem preço. Com seus amigos você aprendeu que fotos têm força para levar você de volta ao passado. Aprendeu a comprar as brigas deles. Aprendeu que festas deveriam durar mais tempo. Aprendeu a cantar junto e bem alto, a gritar suas emoções. Aprendeu os significados de segredo, confissão e confiança. Aprendeu a não ser egoísta e a cuidar. Aprendeu a ler pensamentos e a reconhecer olhares. Aprendeu cumplicidade e aprendeu respeito. Aprendeu que praia não deveria ter hora para acabar. Aprendeu que bronca você não leva só em casa. Com seus amigos você aprendeu a sonhar. Com seus amigos você aprendeu a errar, a acertar, a perdoar e a se desculpar. Com seus amigos você aprendeu a ter defeitos, a conviver com os seus, a aceitar os deles. Aprendeu que o tempo é relativo, assim como a distância. Com seus amigos, você aperfeiçoou paciência, tolerância e fé. Com seus amigos, com todos eles, você se aperfeiçoou.

Com seus amigos, enfim, além de tudo isso, você aprendeu a ser você.

Com meus amigos... eu aprendi o mundo! E assim, vou aprendendo a vida...

[Para assistir: FRIENDS]

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A bondade é um bumerangue?


Eu conheço boas pessoas. Você também conhece, caro leitor?

Não. Eu não estou falando daquela pessoa "legal" que cumprimenta você com educação. Nem daquela pessoa "bacana" que sorri sempre que vê você. Falo de bondade, e BONDADE vai muito além desses gestos comuns que podem surgir de qualquer um.

Falo de pessoas cuja existência faz diferença na vida de outrem. A verdadeira diferença. Pessoas que fazem o bem, e que de maneira muito natural, dedicam parte de si para somar a boas causas, para somar à construção de boas ações que, muitas vezes, são capazes de mudar a vida de quem recebe esse bem.

São pessoas que, de tão especiais, mais parecem um presente que a gente sempre se pergunta de onde veio.

Pois é, eu conheço pessoas assim. Pessoas que vejo dedicar aos outros uma pureza de espírito tão magnífica que se torna fácil achar que a humanidade tem jeito.

E para ser uma pessoa boa, desse tipo que falo, não precisa de muito esforço, até porque, é natural. Não falo de pessoas que buscam a canonização, de tão santas que parecem ser. Pelo contrário. São pessoas cheias de defeitos e todos muito explícitos. É isso mesmo. São pessoas de verdade!

E de onde veio a ideia de escrever esse post? De onde veio esse assunto? Veio de um momento de lucidez em que percebi que muito além das pessoas mais próximas a mim, eu conheço outras pessoas que, muito embora eu não saiba muita coisa sobre suas vidas, são pessoas que, de fato, merecem admiração e respeito, por mostrarem em atitudes simples o quanto é fácil ser do bem. Como é fácil sonhar o sonho do outro e lutar junto para realizar. Como é fácil torcer pelo outro e admirar o que é bem feito. Como é fácil se sentir feliz pela felicidade alheia e saber respeitar o espaço de cada um, o limite que cada ser humano tem.

Não preciso citar os nomes dessas boas pessoas aqui (muito menos contabilizar quantas vezes eu escrevi "pessoa" neste post). Essas boas pessoas se conhecem o suficente para saber que esse texto é sobre elas.

E diante de tudo o que eu já disse acima, lembro da premissa do livro "O Segredo", que defende a ideia de que tudo aquilo que você dá ao universo, volta para você. Pois bem. Bondade não é fazer o bem esperando que o bem volte e lhe presenteie com uma recompensa à altura. Bondade é dedicar o que você tem de melhor com liberdade. O simples fato de fazer o bem é a própria recompensa.

Então, no fim das contas, sabemos que o conceito de pessoa boa que tínhamos quando crianças não é tão perfeito. Pessoas boas erram e têm defeitos. Pessoas boas nem sempre se acham boas. Mas, definitivamente, as boas pessoas sabem que a bondade encerra-se em si mesma.

E se você, caro leitor, ao praticar qualquer ato de bondade, espera "troco", recompensa, agradecimento... sinto lhe informar, mas você não é uma boa pessoa. No máximo, você é um bom comerciante!

"Não é preciso que a bondade se mostre; mas sim é preciso que se deixe ver." (Platão)

[Para assistir: "Pay it Forward" (A Corrente do Bem)]

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Onde mora o amor ou "a eterna dúvida sobre quem manda em você"...

Onde mora o amor? Alguém sabe? O endereço está no catálogo?

Desde que o mundo é mundo, todos caminham em busca do amor. Piegas? Talvez. Verdade? Absoluta. E desde que esse mesmo mundo é mundo, todos esperam que o amor venha embrulhado para presente com um cartão indicativo e explicativo de que aquilo é amor, sem sombra de dúvidas.

Mas acontece, querido(a) leitor(a), que o amor não é tão previsível. Ele não se dá o trabalho de avisar quando vem, de sequer levantar a mãozinha para tornar pública sua presença. Ele, serelepe como é, sapeca e esperto, chega de repente, chuta a porta e lhe toma de forma arrebatadora. E faz você se perguntar: "Mas COMO ASSIM?!" E esse "de repente" se torna uma fraude: Ele sempre esteve ali. Você que não viu.

É, amigo(a) leitor(a)... o amor lhe toma de assalto. Ele lhe surpreende de forma tal que faz você rever seus conceitos construídos ao longo da vida sobre toda a burocracia que envolve o "apaixonar-se por alguém". Você descobre que toda a dificuldade que você achava existir era puro marketing sentimental. Viver o amor é uma das coisas mais fáceis de se fazer na vida. E uma das mais inteligentes.

É verdade que você até tenta domá-lo, mas é ele, com toda aquela sapiência malandra quem, na maioria das vezes, doma você. E sabe por quê? Porque você permite! Você se acostuma com a ideia que colocaram na sua cabeça desde que você era criança, de que o amor habita o coração e nele o cérebro não manda. Que existe uma guerra entre eles e que os territórios são fortemente protegidos e não podem ser invadidos. Conversa fiada para boi dormir. É o cérebro quem manda em tudo! É o todo poderoso das suas ações e reações.

O ser humano tem a mania (e orgulho de possuí-la) de acreditar que quando se apaixona, não tem escapatória, não tem saída. Assim, entrega-se e se atira de cabeça, na maioria das vezes, e entrega à vida a responsabilidade de arquitetar seu destino. Depois, reclama quando as coisas dão errado. Desculpe a sinceridade, mas o amor não é burro nem é cego. Muito facilmente, se essa ideia passar pela sua cabeça na hora de tentar achar o culpado por seu relacionamento não ser a perfeição que você desejava, o(a) burro(a) e cego(a) será você.

E nem adianta esperar o amor bater a sua porta. Eu explico: sabe onde o amor mora? Mora em você. Não confunda sentimento com a pessoa a quem você o doa. Amor é isso que vive dentro de você e que faz você acordar todos os dias. Que dá a você coragem e força para continuar, para tentar, para conseguir. Quando o amor arrebata é porque ele resolveu sacudir sua vida, sair do sono que se encontrava para lhe dar um rumo, uma direção. Então, aquela afirmação feita parágrafos acima, que o amor surpreende e chega "chutando a porta", nada mais é do que o amor que habita em você se manifestando, tomando uma forma palpável. Mas ele sempre esteve ali. Ele muda o percurso, mas ele é, simplesmente, o amor-próprio que transborda e precisa ser dividido com alguém. Pois é certo que você só é capaz de amar o outro quando você se ama de verdade! Porque amor mesmo, real, honesto, é o que divide. É o que traz benefício, felicidade, leveza. Se traz dor, não confunda. Pode ser qualquer coisa, só não é amor. Pode ter sido um dia, mas deixou de ser. Certo. Eu sei que a vida a dois não é tão fácil e blá blá blá. Não estou dizendo que é fácil, simples. Viver a dois traz um pacote de questões e sentimentos. Eu sei! Faz parte! Estou falando exclusivamente do sentimento. O amor em si, o sentimento que faz de você uma pessoa melhor diante da vida.

É caro(a) leitor(a), mesmo com toda a beleza da arte pintada, recitada e cantada sobre o amor, ele pode acabar sim. Isso não é lenda. Seu organismo está preparado para um dia expulsar (ainda que demore) qualquer sentimento que não lhe faça feliz. E se o amor se tornar obsoleto, ele vai se esvaindo, até se transformar em outra coisa que, ainda que seja boa, não será mais o amor em seu estado bruto.

Eu aviso: durante a sua vida, você vai morrer de amor diversas vezes. E vai ressuscitar em todas elas. E pode ser sempre pela mesma pessoa. Porque o amor se renova... dentro de você! O que você faz com ele, é a grande lição que você precisa aprender.

Não quero acabar com o romantismo e tornar prático o que deve ser bonito. Atire-se mesmo! Acredite no que o amor pode fazer por você e, principalmente, no que você pode fazer com ele. Mas deixo aqui uma dica: quando você se entregar ao sentimento, jogue-se com tudo, mas não esqueça de manter os pés no chão e, pelo menos, um dos olhos abertos porque, a cabeça... essa acaba se perdendo mesmo!

E Nando Reis, que considero um sábio nesse assunto, ensina, sem maiores dificuldades: "tornar o amor real é expulsá-lo de você para que ele possa ser de alguém".


[Para assistir: "De repente é Amor" (I lot like Love) / Para ouvir: "Brighter than Sunshine" (Aqualung), "Leve" (Millane Hora) e "Breathe in Breathe out" (Mat Kearney)]

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Da arte de tocar os sonhos...


Steven Tyler (Aerosmith) disse: "Dream on, and dream until your dream comes true..." (sonhe, e sonhe até que seu sonho se realize).

Incansável é o ser humano que constrói sua vida sobre alicerces de sonhos.

Somos fruto da mais autêntica esperança. Lutamos contra obstáculos impostos por pessoas, pelo tempo, pela vida. Não sabemos ao certo onde iremos parar, mas dizem que o mais importante de tudo é a jornada. Será mesmo?

Quantas vezes, querido leitor, você já não se viu sonhando com algo que, alguns segundos depois, pareceu impossível? E quantas vezes você já não se viu sonhando com algo que já estava tão próximo de se realizar? E quantas outras tantas vezes você não se viu sonhando o sonho de outra pessoa? Dividindo as expectativas e a ansiedade de esperar pelo amanhã.

Cada novo dia nos torna uma nova cópia de nós mesmos e, inevitavelmente, tornamo-nos reflexos naturais dos que nos cercam. Nessa rede, mergulhamos no mar de ansiedade que nos consome a cada passo da tão falada jornada. Mas essa ideia de jornada, para alguns, leva a crer que nós só possuímos um sonho na vida. Você só tem um, caro leitor? Acho que não.

Os sonhos não vivem presos em universos paralelos. Os seus sonhos não afetam só a sua vida. Eles afetam as vidas de outras pessoas, cujos sonhos também afetam você.

Na verdade, a vida é formada por uma junção de pequenos e grandes sonhos, e cada um deles, estimado leitor, faz de você a pessoa que você é. E jornada, caso não tenha ficado claro, é a própria vida.

Crescemos ouvindo e lendo as mais variadas frases piegas sobre sonhos, destino, vida. E aprendemos a mitificar o que já faz parte do cotidiano. Colocamos nossas expectativas em nuvens e imaginamos chuvas e horizontes. Sonhos... Por que insistimos em imaginá-los distantes?

Talvez porque a beleza maior da conquista esteja em alcançar o inalcançável. Atingir o inatingível. E nos sentimos melhores e mais fortes quando acreditamos que chegamos longe, que fomos além do que qualquer outro iria. Às vezes, o prazer de sonhar é tão grande quanto a satisfação de realizar, mas a não realização é sempre uma das mais dolorosas decepções que se pode sentir. E por mais que tenhamos os "pés no chão", é levitando que se sonha de verdade.

Então, quantos sonhos você já realizou? Quantos sonhos você ainda tem?

Não pare no tempo esperando uma mágica que torne realidade o que você tanto deseja. Não ache que você precisa de uma razão para começar a tentar realizar suas vontades ou de uma razão para se libertar e sonhar mais. A vida já se encarregou disso: o sonho é a própria razão.

Não dificulte! Não insista em complicar! Atire-se de cabeça! Arrisque-se! E haja o que houver, não desista dos sonhos. Se for preciso, renove-os! E entenda que mudar de sonho não significa desistência. Significa mudança de rumo, prevalência de algo mais importante do que uma simples ideia. E, assim, compreendido que sonhos são simples e que são palpáveis, olhe ao seu redor, observe tudo o que lhe cerca e acorde! Seus sonhos já começaram...

Então, sonhe... e por mais difícil que seja a jornada, por mais difícil que pareça a existência de um final feliz, sonhe até que seus sonhos se realizem! Mas não esqueça nunca de estender suas mãos para que seja sempre possível tocá-los... Liberte os sonhos de dentro da sua cabeça!


[Para assistir: "Um sonho possível (The blind side)" / Para ouvir: "Dream on" (Aerosmith)]